GRUPOS DE TRABALHO APROVADOS

GT01– Humanos e não-humanos nos meios urbanos: paisagens, imagens e interações

Coordenadores

Dra. Andréa Osório (ICM/UFF)
E-mail: andrea_osorio1@yahoo.com.br
Dr. Edi Alves de Oliveira Neto (NEVIS/CEAM/UnB)
Coordenador suplente
Dr. Flávio Leonel Abreu da Silveira (UFPA)

Humanos e não-humanos conformam as paisagens típicas das cidades, seja pela presença de estruturas de concreto e mobiliário urbano, seja pelas chamadas “áreas verdes”, onde plantas e animais têm algum espaço junto ao lazer que representam para a população humana citadina. Normalmente, essas duas zonas, o verde e o cinza, são pensadas como antitéticas, mas a proposta do presente GT é pensá-las como convivendo no mesmo espaço urbano, a partir de uma noção de cidade que comporta agências humanas e não-humanas, mas também aquilo que se convencionou chamar por natureza. Nem sempre essa convivência é pacífica, podendo gerar conflitos socioambientais específicos ou lutas pela sobrevivência a partir da adaptação dos não-humanos vivos à dinâmica das urbes. O objetivo do GT é fomentar este debate, servindo como espaço de diálogo entre pesquisadore (a) s que queriam pensar para além das dicotomias tradicionais entre natureza e cultura, expressas em imagens e paisagens relativas ao modo de vida urbano e à própria vida citadina que, decerto, envolve vários entes não-humanos. Pesquisas em Trabalhos sobre Unidades de Conservação em meio urbano, parques, praças, jardins públicos ou privados, bosques, praias, lagos, cachoeiras e rios (poluídos ou limpos), zonas suburbanas e rururbanas, hortas comunitárias, jardins (que passaram a integrar diversos lares durante a Pandemia de Covid-19), animais domesticados e “selvagens”, bem como casas, galpões, edifícios, pontes, valões, ruas e avenidas, planejamento e mobiliário e mobiliário urbano em geral, etnografias de rua, entre outros, serão bem-vindos para uma reflexão acerca do que constitui a paisagem citadina na prática urbana e na realidade empírica, e o que faz com que a cidade seja, ainda, vista como algo distinto do rural ou das zonas “selvagens”, conservadas ou não.

GT02 – Projetos urbanos e produção de memórias: representações em disputa

 Coordenadores (as)

Dr. Frank Andrew Davies (PPGS-UVV)
E-mail: daviesfr@gmail.com
Dr. João Felipe Pereira Brito (ICS-ULisboa)
E-mail: brito.jfp@gmail.com
Dra. Monique Batista Carvalho(CAp/UERJ)
E-mail: carvalho.nique@gmail.com

A história das cidades pode ser contada por meio dos desejos e sonhos que se articulam a espacialidades diversas, carregando de valores e símbolos as distintas dimensões do que chamamos urbano. As imagens e imaginários sociais figuram a realidade e motivam sua transformação, convergindo agentes e ao mesmo tempo levando a disputas sobre o que um determinado lugar urbano é, foi e poderá ser. Chamando atenção à imbricada relação entre realidades e representações na produção das cidades, este Grupo de Trabalho pretende reunir esforços investigativos que problematizam a relação entre projetos urbanos, como por exemplo, de “renovação”, “requalificação” ou “regeneração” de bairros, regiões, zonas e outras territorialidades intraurbanas, à produção de determinadas memórias e identidades espacializadas, ancoradas em termos como “tradição”, “vocação”, “marca”, “patrimônio” e “autenticidade”. O GT também se abre aos debates sobre investimentos materiais, simbólicos e políticas públicas em cidades e lugares urbanos, suas contradições, efeitos e articulações com as ideias de desenvolvimento sustentável/sustentabilidade, economia criativa, inovação e “cidade inteligente” (smart city).

GT03 – Estratégias e resistências dos povos indígenas na américa latina durante a crise sanitária da covid-19

 Coordenadoras

Msc. Chryslen Mayra Barbosa Gonçalves (Doutoranda PPGAS-UNICAMP)
E-mail: chryslenmayra@hotmail.com
Msc. Josy Marciene Moreira Silva (Doutoranda PPGAS – UNICAMP)
E-mail: marciene.josy@gmail.com
Coordenador suplente
Msc. Anderson Augusto Mota Serra (UFMA)

 Os povos indígenas da América Latina têm um histórico de lutas contra ofensivas em seus territórios, muitas vezes associadas com a entrada de vírus e bactérias. Artionka Capiberibe (2020) propõe que em razão deste processo histórico o novo coronavírus (SARS-CoV-2) se configura como um “novo velho conhecido” dos indígenas, e que na atual crise sanitária estas ofensivas estão, também, aliadas a interesses políticos e explorações econômicas em terras indígenas. Por conta destas experiências históricas tais populações produziram memórias de lutas e estratégias para lidar contra estas ofensivas. As estratégias econômicas, jurídicas, de medicina tradicional, solidárias e onto-epistemológicas compõem estas memórias. Entendemos que muitos povos indígenas acumularam conhecimentos para afrontar estes momentos de crise sanitária e que estas estratégias foram aplicadas na atualidade com a pandemia do novo coronavírus. A proposta deste Grupo de Trabalho é criar um espaço de discussão a partir de trabalhos que tenham a temática como campo de investigação, estando aberto para trabalhos que tratem de estratégias, experiências, narrativas, conhecimentos e problemáticas encontradas pelas populações indígenas que vivem em terras indígenas e das populações que vivem nas cidades, centros urbanos e periferias das grandes cidades.

GT04 – Personagens urbanos: metodologias, trajetórias e projetos de vida na cidade

 Coordenadores

Dr. José Luís Abalos Júnior (PPGAS – UFRGS)
E-mail: abalosjunior@gmail.com
Dr. Jesus Marmanillo Pereira (PPGS-UFMA)
E-mail: marmanillo.jesus@gmail.com

 O presente grupo de trabalho se propõe a refletir sobre “personagens urbanos” que entendemos como interlocutores e interlocutoras chaves no processo de inserção em campo, e etnografia da e na cidade.  Foi em uma esquina que Doc conheceu Foote-Whyte. A esquina virou nome de livro, Doc tornou-se protagonista de uma etnografia clássica e o autor ficou (re)conhecido por evidenciar a importância do “interlocutor chave” na narrativa sobre a cidade e seu cotidiano. Doc, Deedee, Curtis, entre outros “personagens urbanos” de William Foote-Whyte (2005) e de Loïc Wacquant (2002) corporificam  esquinas e guetos, e consequentemente a cidade. Inspirados nesses estudos, buscamos agregar pesquisas e andamento (TCCs, Dissertações e Teses) que (re)pensem formas metodológicas de interpretar a cidade a partir de seus personagens. Mas a qual a melhor de trabalhar metodologicamente com sujeitos inseridos no cotidiano da cidade? Em que estas pessoas afetam nosso trabalho? Quais experiência podemos relatar sobre nosso contato com essas alteridades? Nesse sentido, apostamos na potência estética de etnografias que atribuem centralidade a narrativas, fotografias, sons, desenhos, audiovisuais e outras formas sensíveis e poéticas de dar visibilidade a estes sujeitos.  Atentamos igualmente para as noções de fazer-cidade (Agier, 2011), práticas do espaço (De Certeau,1998), montagem (Vertov, 1929; Samain, 2011) dentre outros conceitos articuladores de temáticas urbanas que atravessam diversos campos da Antropologia, como o do visual e da imagem, da arte, do trabalho, de gênero e sexualidade, migração, religião, etnologia, etc.

GT05 – Luzes da Cidade: interfaces entre imagens e contextos urbanos

 Coordenadoras

Idayane Gonçalves Soares (Mestranda PPGS-UFPB)
E-mail: idayane_soares@hotmail.com
Msc. Williane Juvêncio Pontes (Doutoranda PPGA-UFPB)
E-mail: williane_pontes@hotmail.com
Coordenadores suplentes
Dr. Jesus Marmanillo Pereira (PPGS-UFMA)
E-mail: marmanillo.jesus@gmail.com
Dr. Raoni Borges Barbosa (PPGCISH-UERN)
E-mail: raoniborgesb@gmail.com

As cidades contemporâneas, em suas dinâmicas, diferenças e complexidades, possuem diversas formas de produção de lugares e territorialidades a partir de onde imagens são elaboradas e expressas em contextos urbanos. A cidade revela um vasto conjunto de imagens possíveis produzidas por grupos sociais, que podem ser apreendidas como objetivo ou instrumento para abordagens etnográficas. Pautando-se na relação entre cidades e imagens, este GT busca reunir experiências de pesquisas, concluídas ou em desenvolvimento, que discutem formas de sociabilidade, práticas cotidianas, lugares, redes de solidariedade, modos de comportamentos, pertença, culturas emotivas e moralidades, entre outras reflexões que abordam os fenômenos de negociações, contradições, conflitos e tensões que configuram a vida cotidiana dos grupos em seus modos de produzir, habitar e viver no urbano contemporâneo. Pesquisas que promovam o debate com base em etnografias urbanas e que dialoguem com representações imagéticas, apontando para as relações de poder, os códigos morais-emotivos, a produção de memória, lugares e territorialidades e a complexidades da cidade, em contextos diversos. Interessa a este GT receber discussões sobre: a) cidade, imagem e pandemia; b) lugares e memória; c) formas de sociabilidade; d) cultura emotiva e imagens.

GT06 – O pluriverso citadino: alteridades, memórias e cosmopolíticas em contextos rururbanos

 Coordenadores

Dra. Terezinha de Fátima Ribeiro Bassalo
E-mail: terezinharibeiroacaizal@gmail.com
Matheus Cervo (Mestrando PPGCOM-UFRGS)
E-mail: cervomatheus@gmail.com
Coordenadora suplente
Msc. Silvia Lilia Silva Sousa (Doutoranda PPGSA-UFPA)
E-mail: silvialiliasilvasousa@gmail.com

 A trajetória de estudos sobre cidades apresenta na antropologia uma multiplicidade de debates que ampliam e instigam nosso olhar sobre este campo de pesquisa. Tais reflexões nos levam a pensar a diversidade de mundos que configuram e dinamizam as paisagens citadinas através de uma infinidade de práticas, táticas, fluxos e fronteiras. Diante do que podemos chamar de pluriverso, percebemos uma complexidade de paisagens que, entre outras coisas, imbricam o rural e o urbano e, mesmo diante de processos excludentes de urbanização, constituem espaços de resistência reveladores de diferentes relações ecossistêmicas que conjugam alteridades para além do humano. A proposta deste GT é dialogar com trabalhos que versem sobre as seguintes temáticas: as interfaces entre o rural e o urbano; a relação entre memória e ambiente urbano; as cosmopolíticas e as relações simbólicas com os espaços citadinos; os debates sobre o antropoceno a partir das alteridades radicais ou não nas urbes; os grandes empreendimentos e os conflitos territoriais; os processos de urbanização e gentrificação face outros tipos de ocupação. Além disso, o GT amplia a discussão valorizando as diferentes formas de conceber as cidades, seja por narrativas textuais ou seja pela imagem, através da fotografia, do áudio e do vídeo. As imagens podem ser autorais, feitas a partir do trabalho de campo e/ou imagens diversas coletadas durante a pesquisa em álbuns de família, documentos imagéticos de arquivos em geral ou imagens veiculadas midiaticamente.

GT07 – Entre o campo e a cidade: processos identitários e de resistências das comunidades tradicionais

 Coordenadores

Dr. Wellington da Silva Conceição (PPGS-UFMA)
Msc. Laylson Mota Machado (Doutorando PPGS – UFPEL)
Msc. Janeide da Silva Cavalcante (PPGS-UFMA)
E-mail: janeide.cavalcante@hotmail.com

 O objetivo do presente GT é buscar agregar reflexões teóricas e empíricas sobre processos identitários e de resistência, tais como disputas territoriais, urbanas, rurais e ambientais, assim como, as resistências cotidianas em diferentes contextos, sejam eles do campo ou da cidade.  Busca-se explorar, discutir e ampliar as percepções sobre povos e comunidades tradicionais, sejam eles ciganos, ribeirinhos, indígenas dentre outros. Destacar os diferentes contextos e formas de sobrevivência para compreender como estes resistem na cidade ou no campo, e como neste contexto evidenciam a identidade como povos tradicionais de seus referentes grupos. Nesse sentido, considera-se neste grupo de trabalho, propostas que discutam como diferentes grupos se mobilizam em seus respectivos territórios, como se apresentam e se representam cotidianamente, se organizam, constroem seus espaços e ritualizam suas práticas culturais. Tais trabalhos podem também abordar estratégias para o fortalecimento de identidade e continuidade, e também lutas em prol de direitos frente ao Estado, debatendo sobre o alcance e a falta políticas públicas que tais povos vivenciaram em seus processos de luta, além de ressaltar como as políticas de desenvolvimento do Estado tais como as hidrelétricas, mineradoras e reservas extrativistas vêm afetando a vida das comunidades tradicionais. Dessa forma, este grupo de trabalho propõe discussões acerca dos povos e comunidades tradicionais e suas interações com a cidade, promovendo um debate do processo identitário, das lutas e resistências enfrentadas por essas populações, das trajetórias sociais e espaciais que mobilizam no intercurso do campo e da cidade.

GT08 – As “Amazônias” dentro da Amazônia: olhares sobre o crescimento das cidades amazônicas e suas diferentes perspectivas urbanas

 Coordenadores

Dr. Guilherme Bemerguy Chêne Neto (LAMAq/MPEG-MCTIC)
E-mail: gbemerguy@museu-goeldi.br
Dr. Richard Douglas Coelho Leão (IESAP)
Coordenadora suplente
Dra. Lourdes Gonçalves Furtado (PPGSA-UFPA)

A região amazônica apresenta, desde o início da colonização portuguesa, um papel de destaque na construção de um projeto de país que se efetivou somente com a formação do Império do Brasil em 1822. De uma zona estratégica de ocupação portuguesa a partir da fortificação das principais cidades da região como Belém, Macapá e São Luís nos séculos XVII e XVIII até o processo de expansão engendrado pela Zona Franca de Manaus (1957) e pelos chamados Grandes Projetos (Manganês do Amapá, Projeto Grande Carajás, UHE Tucuruí e Albrás-Alunorte), a Amazônia se colocou como importante fornecedor de insumos e commodities para o Brasil e o mundo, representado nos ciclos econômicos das drogas do sertão (séc. XVII), da borracha (1860-1912), da mineração (1940 aos nossos dias), do extrativismo vegetal e a abertura de uma nova fronteira do agronegócio a partir do estabelecimento de um projeto civilizador para região iniciado por Vargas (1930-1954), delineado e desenvolvido na Ditadura Militar (1964-1985) e consolidado nos governos neoliberais que veem a grande quantidade de áreas preservadas ou na forma de reservas indígenas como um obstáculo para o desenvolvimento da Amazônia. Com isso, várias “Amazônias” foram surgindo dentro da Amazônia, criando um mosaico de identidades e culturas que passaram a construir novas alteridades e identidades, pois a região recebeu grandes fluxos de pessoas que objetivavam povoar a região e esse fluxo aumentou a densidade populacional em algumas regiões antes consideradas vazias. Enquanto isso, as capitais estaduais serviam como meio do caminho para esse fluxo (por conta de seu sistema aeroportuário), mas o destino final eram cidades menores, que, com o passar do tempo e por conta dessa imigração, tornaram-se cidades médias entranhadas na Floresta Amazônica e, com elas, surgiram várias consequências, sociais e ambientais. Esse GT tem como objetivo discutir o cenário urbano da Amazônia a partir das formas de crescimento e urbanização das suas cidades grandes e médias, as relações sociais e antropológicas estabelecidas e como, sob as diferentes perspectivas, estas “Amazônias” constroem uma identidade amazônica.

GT09 – Imagem, arte, memória e ativismos urbanos

 Coordenadoras

Dra. Aline Maria Matos Rocha (UNIFOR/SEDUC-CE/LEC-UFC)
E-mail: alinemmatos@gmail.com
Dra. Amiria Brasil (UFRN)
E-mail: amiria.brasil@ufrn.br
Dra. Lara Denise Silva (SEDUC-CE /lajus-UFC)
E-mail: laradenisesilva@gmail.com
Coordenador suplente
Msc. Marcelo Mota Capasso (Doutorando PPGGeografia-UFC/LEHAB-UFC)

 Este grupo de trabalho busca dialogar com pesquisas que compreendam as cidades não apenas como lugar de acontecimentos e materialidades que a corporificam, tratando-se de percebê-las como interlocutoras e agenciadoras de ações e intervenções atravessadas pelos crivos da memória, dos afetos, da criatividade, da invenção, da arte, dos pertencimentos. Mais do que cenário ou pano de fundo, abordagens de pesquisa no contexto urbano dão destaque a certa agência citadina, como se a cidade ultrapassasse sua materialidade e se projetasse para além de ruas, avenidas e prédios, reverberando em modos de agir, expressar, sentir, lembrar, reivindicar. Esse processo também se reflete em sociabilidades, práticas, disputas e em produções culturais e artísticas. Tal recorte parece apontar como desdobramento o potencial que as cidades e os movimentos a ela relacionados têm em construir resistências aos processos que tentam calar e manter contradições, silenciamentos e desigualdades. Por conseguinte, nos interessam estudos que abordem imagem, arte e memória como dimensões que se projetam na cidade, oferecendo potencialidades, recursos e práticas de contestação, expressão, disputa e organização da ação coletiva. Trata-se de pensar como diferentes experiências e materialidades interpelam o urbano e o citadino, servindo como instrumento de reivindicações, identidades, expressões. Nesse âmbito, emergem temas como imagem e arte urbana, disputas pela preservação do patrimônio e da memória, constituindo-se como relevantes campos de expressão e ativismos urbanos. Tais práticas convergem numa diversidade de áreas de estudo e abordagens, passando pela antropologia, sociologia, geografia, arquitetura e urbanismo, favorecendo o diálogo e a partilha de metodologias e resultados de pesquisa em diferentes níveis e estágios.

GT10 – Foto-etnografias marginais: Imagens, Cidades, Vida cotidiana e Povos Tradicionais

 Coordenadores

Dr. William Héctor Gómez Soto (PPGS-UFpel)
Dr. Luan Gomes dos Santos de Oliveira (UFCG)
E-mail: luan.gomes@professor.ufcg.edu.br
Coordenador suplente
Msc. Laylson Mota Machado (Doutorando-UFpel)

 Os tempos pandêmicos neste século XXI acionaram transformações no âmbito das relações sociais, da produção do conhecimento, da produção do espaço, recriando uma vida cotidiana (MARTINS, 2020) que abriga o simples, o marginal. Esse, um fenômeno multidimensional, que parte da poiésis (SOTO, 2018), a capacidade criativa como um elemento indispensável na produção de fotografias, documentários, Vídeos, imagens do concebido e vivido. É relevante sublinhar que compreendemos por fotografia, uma imagem em movimento, no sentido que narra histórias, recupera relações, temporalidades, espacialidades, memórias que reacendem a potência do presente. Dessa forma, a pandemia alterou a produção do espaço das cidades, subjugando-a ao silêncio das ruas. Esse silêncio não significa passividade, mas histórias, imagens, os ruídos da vida cotidiana, que aqui se coloca como um objetivo: abrir espaços de pesquisa, capazes de incluir etnografias marginais. Essas tratam da diversidade de temáticas que incluem a Vida Cotidiana, na acepção da sociologia martiniana, desde temas de pesquisas com imagens, cidades, questão socioambiental, povos tradicionais: comunidades ribeirinhas, indígenas, ciganos, quilombolas, situando-as no contexto da pandemia vigente. O ser marginal dialetiza as vozes silenciadas nas ruas da cidade, sua imagem segue no horizonte de totalidade, se impõe um movimento na fotografia enquanto produtora da vida cotidiana e reprodutora dos silêncios. Portanto, estaremos abertos a receber experiências de pesquisa socioantropológica que inclua fotografias, a vida cotidiana no cenário pandêmico, temas ecológicos e povos tradicionais. O compartilhamento dessas experiências de pesquisa pode fortalecer estratégias e métodos de pesquisa com imagens nas ciências humanas e sociais.

GT 11– Corporalidades, territorialidades e representações de gênero

Coordenadoras

Profª Drª Amanda Gomes Pereira (PPGS-UFMA)
E-mail: ag.pereira@ufma.br
Profª Drª Tatiana Colasante (Curso de Turismo -UFMA)
E-mail: tatiana.colasante@ufma.br
Coordenadora suplente
Profª Drª Patricia Helena Milani
Docente Adjunta do Curso de Graduação e Pós Graduação em Geografia
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul campus Três Lagoas
E-mail: patriciah.milani@gmail.com

Este GT convida ao diálogo de estudos e pesquisas que estejam em estágio inicial, em elaboração ou concluídos dedicados às relações de gênero e corporalidades, evidenciando narrativas de sexualidades, afetividades, violência, discriminação e subalternidades que refletem territorialidades em perspectivas multiescalares, sobretudo, a partir de leituras decoloniais que procuram subverter e transgredir pressupostos científicos eurocêntricos. Interessa-nos compreender de que forma corpos/agentes em contextos vulneráveis, ao circularem pelas cidades, são oprimidos e destituídos de manifestação dos seus próprios desejos, tendo suas existências negadas ou invisibilizadas. Nessa visão, o desejo produz territórios, pois implica no surgimento de vários agenciamentos. O território, assim, em uma dinâmica processual que abarca as materialidades e imaterialidades dos sujeitos, retrata as dimensões do pensamento e do desejo que se relacionam às dinâmicas de poder. A “mecânica” do poder se processa sob a forma capilar, atingindo o nível dos sujeitos, assim como seus corpos, gestos, atitudes, discursos e aprendizagem. O desejo, aqui, não é compreendido como algo único, mas aparece atrelado a um conjunto de fatores, “agenciado” por vários elementos embutidos nas ações cotidianas. Dessa forma, por trás de uma vontade expressa por um sujeito em ter determinado objeto, surgem escolhas que fazem com que ações, aparentemente simples, possam ser interligadas a relações mais complexas (status, religiosidade, sexualidade etc.).

GT-12 – Práticas Culturais Negras e (n)as Cidades: o urbano como cenário da agência (cri)ativa negra

Coordenadore (as)

Drª Karina Almeida de Sousa – (Docente UFNT/PPGS-UFMA)
Meª Carolina Nascimento de Melo (Doutoranda em Sociologia – PPGS/UFSCar)
Grº Fernando Oliveira da Costa (Mestrando em Sociologia – PPGS/UFSCar)

O deslocamento de pessoas, modos de fazer, modos de ser, práticas culturais e conhecimentos entre as Américas, o Caribe e a África, incluindo a Europa, tem os centros urbanos como locais privilegiados para o estabelecimento do que nomeamos como zonas de contato, ou seja, “o espaço em que os povos geográfica e historicamente separados entram em contato produzindo relações contínuas que envolvem condições de coerção, desigualdade radical e conflito intratável”( PRATT, 1992, p.07). O urbano é, portanto, compreendido por nós a partir dos fluxos, dos contatos e das articulações (EDWARDS, 2017) representadas por encontros de diferentes sujeitos e suas experiências. Diante disso, tais locais são fontes ricas de análise e observação das disputas em torno, principalmente, da produção cultural. De modo geral, sujeitos negros se utilizam das cidades como palco para suas manifestações culturais, artísticas, religiosas e políticas. São inúmeros os exemplos de tais manifestações, a citar: samba, bailes black, batalhas de poesia (slams poetry), hip-hop, bailes funk, reggae, entre outros. São nesses eventos que é possível ver a valoração e positivação das diversas estéticas negras(Gilroy-1993) presentes nas vestimentas, nos acessórios, nos cabelos, nas performances e sem dúvida nas práticas culturais expressivas (música, dança, culinária, religiosidade, artes plásticas, artes visuais, literatura). O Grupo de Trabalho receberá propostas direcionadas a investigação de processos, circuitos e práticas que possuem a cidade como cenário das expressões culturais resultantes da agência (cri)ativa de negros e negras. As pesquisas deverão considerar as práticas das culturas negras (música, dança, artes visuais e plásticas, culinária, religiosidade, etc), no campo das ideias e da intelectualidade e da estética em contextos de deslocamento e contatos articulados pelos/nos centros urbanos.

 

GT 13 – Cidades e Águas: usos, representações e temporalidades

Coordenadores (as)

Msc. Luciano Magnus de Araújo – UNIFAP
proflucianounifap@gmail.com
Msc. Victória Ester Tavares da Costa – UFPA
victoria.ester@ifch.ufpa.br
Coordenadores suplentes
Msc. Enderson Geraldo de Souza Oliveira – Estácio Pará/ UFPA
enderson.olivera12@gmail.com
Dr. Robson Cardoso de Oliveira – Esamaz/ Estácio Pará
robson.cardosodeoliveira@gmail.com

O contato das águas com o urbano confere às paisagens vários processos e dinâmicas que transformam estes ambientes, bem como seus habitantes e passantes. Entendendo as representações como meio de expressão e registro de experiências, memórias e dimensões identitárias, emerge a discussão sobre as vivências nestes espaços. As relações das águas (de rios, mares, mananciais e correlatos) com as urbanidades permitem-possibilitam cenários e desdobramentos de processos e vivências: águas-transporte; águas e usos-(re)usos-descartes; águas e paisagens; águas, fenômenos naturais e seus impactos nos espaços de vivências; águas e suas representações; águas, encantarias e histórias; águas, vida e economia; águas, ciclos, vida e morte; bem como outras potenciais relações. Diante da atualidade dos usos e entendimentos sobre a substância da vida, até mesmo sua escassez, nos remete a refletirmos sobre nossa finitude. Assim, este GT propõe agregar e discutir trabalhos que suscitem discussões sobre o contato citadino com as águas, a forma que estas relações refletem na cotidianidade, temporalidades e vivências destes lugares, formação de paisagens e sociabilidades em territórios urbanos, modos de representação, dentre outros, levantando diálogos e reflexões sobre a temática.